domingo, 29 de agosto de 2010

A DANÇA DO CÍRCULO


As putas já começam a fazer o balanço da Saturday night e os boêmios fazem o caminho de volta pra suas tumbas.

Na estrada a bruma densa insiste na inútil tentativa de fazer a noite durar um pouco mais.

Uma pena não conseguir...

As luzes da estrada passam em flashes sobre as nossas cabeças.

São as luzes da ribalta, que logo vão se acabar, pois o show já acabou e o que restou foi mais um sentimento inútil de inevitável ciclicidade.

Mais uma ou duas ultrapassagens proibidas, dois faróis vermelhos...

Papai acha que códigos de trânsito antes das seis da manhã são mera formalidade.

E lá vai eu rumo a outra jornada!

Este é o prelúdio de mais um domingo...

Mais um domingo não guardado a Deus.

E depois, receio que vossa onisciência não esteja perdendo grande coisa, confesso, tampouco eu.

Temos muito em comum.

Fora a tal história da imagem e da semelhança, certa inclinação para dançar em volta do próprio eixo.

E sim, temos a certeza de nunca chegar a lugar algum e que nos mantemos em movimento só porque podemos, e isso é tudo.

Destruir, e com os destroços construir...

Recriar ad infinitum...

Acho que Deus tem um quê de anarquista, mas essa já não é um conversa pra um domingo comum.

Voltemos à dança do círculo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DESOPILANDO...


E o que me resta senão o teu verb to be mal conjugado, teu parnasianismo barato e pretensioso.

Duas pedras de gelo, e mais uma dose de ego travestido em poesia.

E eu que nunca fui boa em assuntos acabados e com algum nexo.

Nada contra assuntos que fazem realmente algum sentido, mas francamente, acho tão enfadonho...

E tipos como tu tão previsíveis que chegam a surpreender.

Contraditório, confesso. Mas sabe aquelas coisas que são tão óbvias que chegam a nos causar dúvidas?

Às vezes não entendo por que insisto em cultivar certas coisas.

Meu tédio nunca resistiu a certas excentricidades, por mais piegas que fossem (existe pieguice excêntrica?), talvez pra compensar alguma fragilidade, ou mesmo a falta de...

Como é mesmo o nome daquele treco que sempre falta?

Acho que ainda não inventaram.

E se o meu não-talvez-quem sabe-sempre-sim tão bem ensaiado resolvesse algo que não fosse meramente ilustrativo talvez houvesse algo a que me prender.

Mas também o que seria da vida sem certas desnecessariedades não?

Acho que tem algo a ver com aquela coisa da gente ter que se sentir vivo, disposto entre outras ladainhas de bem-estar e blá-blá-blás dessa gente que acha que pensa e sabe o que está fazendo assim como...

Assim como eu?

Deve ser esse meu jeito fechado, displicente com tudo, o inconsciente deve tentar compensar de alguma forma.

But the time is gone and the song is over...

E acho até que fico bem vestida assim.

Esse certo ar de “não sei o quê” revigora, não por falta de vocabulário, mas pela beleza da incerteza mesmo.

Vai ver que o “não saber” com o passar do tempo aumente o valor dessas coisas não sabidas.

Receio que quando descobrir o valor seja alto demais.

Faça suas apostas!

And play the game baby!

E depois, tu nem sabe fazer de outro jeito.